
Sabe como é morar em Roma?
Morar em Roma é fazer um cooper pela pista do Circo Massimo, onde os romanos disputavam as corridas de bigas, vendo ruínas imperiais e o Coliseu ao fundo.
É sair de uma festa bêbado de cerveja e mijar num muro com mais de 2 mil anos de existência.
É comer croissants recheados de nutella no café da manha, pasta no almoço, sorvete o dia inteiro, jantar uma pizza inteira sozinho e… e engordar feliz!
É poder andar de madrugada pelas ruas estreitas do centro, amareladas pelas luzes dos postes antigos, entre motorinos estacionados e sacadas cheias de flores.
É ler noticias sobre o país no jornal local e achar que está tudo bem, mas depois abrir um jornal estrangeiro que fala sobre a Itália e descobrir que o premier falou merda, que a economia está uma bosta e que a máfia matou mais gente.
É pegar filas gigantes no correio, pra te enviarem pra um outro correio, pra pegar outra fila gigante, pra te enviarem pra um cartório, pra enfrentar uma italiana velha-mal-humorada, pra te enviarem pra central da polícia estadual, pra enfrentar um italiano velho-mal-humorado… pra então seu documento chegar meses depois em sua casa, com data vencida.
É ver símbolos fascista pixados por toda parte, mas não tão numerosos quanto as exageradas declarações de amor eterno pintadas nos muros, calçadas, prédios, pavimentos…
É tomar seu vinho na maior tranquilidade com os amigos, sentado nos degraus de uma fonte, no meio de uma praça cheia de restaurantezinhos em volta, todos com mesinhas lotadas colocadas pra fora.
É ver dois caras se cumprimentado com dois beijinhos, cabelo com corte da moda ajeitado com pomada, camisa social, cinto Gucci, sapato Salvatore Ferragamo e, o mais importante, um óculos de sol GIGANTE com uma logomarca ENORME onde se lê “DOLCE&GABANNA”. E eles não são gays.
É ser acordado pelos sinos das igrejas, e ver freiras japonesas e negras juntas no mesmo carro costurando o transito caótico do centro, em direção ao Vaticano.
É sair pela janela do seu apartamento pra xingar as pessoas do apartamento da frente, em alto em bom italiano, gesticulando o máximo possível.
É pegar um trem pra visitar outra cidade italiana, e ver alpes com neve, praias com o mar mais azul e a água mais transparente que eu já vi, cidadezinhas medievais e castelos no meio dos morros, povoados dominados pela máfia… ou até mesmo uma grande cidade em que todo mundo acha que está num desfile, e olham mais pra sua roupa do que pra sua cara.
Enfim, tudo meio de ponta-cabeça, mas também apaixonante